
Santa Catarina conquistou mais um importante reconhecimento do diferencial dos seus territórios, a Indicação Geográfica (IG) Frescal da Região de São Joaquim, reforçando a força dos produtos catarinenses vinculados ao território, à tradição e ao saber fazer regional. O Frescal, carne maturada produzida na Região de São Joaquim, obteve o reconhecimento junto ao Instituto Nacional da Propriedade Industrial (INPI). O pedido foi requerido pela Cooperativa de Carnes Nobres de São Joaquim (Coopernovilhos), com a atuação do Sebrae/SC, Faesc/Senar, Sindicato Rural de São Joaquim e a Secretaria de Estado da Agricultura e Pecuária.
Com o novo registro, o estado passa a contar com 11 Indicações Geográficas reconhecidas, consolidando-se como referência nacional na valorização de produtos tradicionais e no fortalecimento das economias regionais. Desse total, cinco IGs são da Serra Catarinense, um dos territórios com a maior densidade de Indicações Geográficas do país.
Atualmente, Santa Catarina possui as seguintes IGs registradas: o Mel de Melato da Bracatinga, a Banana da Região de Corupá, os Vinhos e Espumantes dos Vales da Uva Goethe, os Vinhos de Altitude, o Queijo Artesanal Serrano, a Maçã Fuji da Região de São Joaquim, a Cachaça de Luiz Alves, a Linguiça Blumenau, a Banana de Luiz Alves, a Erva-Mate do Planalto Norte e, agora, o Frescal da Região de São Joaquim.
Suporte técnico
O Sebrae/SC atuou diretamente em nove dessas conquistas, oferecendo suporte técnico e financeiro para a elaboração da documentação necessária junto ao INPI. Além das IGs já reconhecidas, outras oito estão em processo de estruturação com apoio da instituição: os Milhos Crioulos de Anchieta, as Ostras de Floripa, o Alho Roxo do Planalto Catarinense, o Camarão Laguna, o Queijo do Diamante, Vinho de Major Gercino, Móveis Maciços de São Bento do Sul e a Mandioca da Terra Preta de Itajaí.
As Indicações Geográficas representam muito mais do que um selo de reconhecimento. Elas valorizam a história, a cultura, os costumes e o saber fazer de comunidades inteiras, muitas vezes preservados por gerações de famílias. A conquista da IG do Frescal da Região de São Joaquim reforça o potencial de Santa Catarina em transformar tradição e identidade territorial em desenvolvimento econômico, agregação de valor e fortalecimento dos pequenos negócios”, destaca Fabio Búrigo Zanuzzi, diretor técnico do Sebrae/SC.
O Frescal

Desde o século 18, tropeiros que conduziam gado do Rio Grande do Sul até Sorocaba (SP) utilizavam a região como ponto de descanso e engorda dos animais. Nesse contexto, surgiu a prática de salgar a carne para garantir sua conservação durante as longas viagens.
Ao longo do tempo, a técnica foi sendo aperfeiçoada pelas famílias locais, dando origem ao Frescal de São Joaquim. O nome do produto teria surgido há cerca de 50 anos, após um jornalista paulista provar a carne em uma churrascaria local e afirmar que ela não era charque nem carne fresca, mas sim um “frescal”. A expressão acabou popularizando o produto em todo o país.
A notoriedade do Frescal também está associada às características naturais da Serra catarinense. O gado é criado solto e alimentado em pastagens nativas de altitude, em um ambiente de baixas temperaturas, condições que contribuem para a maciez e o sabor característicos da carne.
O processo de preparo mantém características artesanais. As peças bovinas são salgadas e curadas ao ar livre ou em ambientes controlados, sem exposição direta ao sol. Diferentemente do charque ou da carne de sol, o Frescal passa por um processo de maturação mais curto, de até 48 horas, preservando a maciez, a coloração rosada e a suculência.
A fama do produto é reforçada por reconhecimentos oficiais. O Frescal foi o primeiro produto cárneo de Santa Catarina a receber o Selo Arte, por meio da Cidasc. Além disso, o município de São Joaquim instituiu oficialmente o Churrasco de Frescal como prato típico local, e o produto também foi declarado patrimônio cultural catarinense.
Sobre as Indicações Geográficas
As Indicações Geográficas no Brasil se dividem em duas categorias: Indicações de Procedência (IP) e Denominações de Origem (DO). As IPs referem-se a regiões reconhecidas pela tradição consolidada na produção de determinado item, enquanto as DOs estão diretamente ligadas às características ambientais e aos métodos específicos de produção de uma localidade.
Atualmente, o Brasil possui 161 IGs reconhecidas, sendo 128 Indicações de Procedência e 33 Denominações de Origem. O registro garante autenticidade, diferenciação e qualidade aos produtos, além de preservar práticas culturais e fortalecer a identidade regional.
A obtenção de uma IG envolve a realização de estudos técnicos que compõem um dossiê encaminhado ao INPI, órgão responsável pela concessão do reconhecimento. Em Santa Catarina, o trabalho é realizado de forma integrada entre instituições parceiras, como Sebrae/SC, Epagri, Secretaria de Agricultura e Pecuária, Mapa, Prefeituras, Senar, UFSC e outras universidades, além de produtores locais.

